Morar fora do seu país de origem já é complicado por si só; além da mudança cultural e a saudade da família, questões burocráticas também devem ser levadas em consideração. O ideal é colocar na balança todos os processos e oportunidades e decidir se vale a pena a aventura. Ainda assim, conforme dados do Datafolha coletados esse ano (2018), mais da metade dos jovens com ensino superior completo querem morar no exterior.
Diversas áreas profissionais estão em constante evolução no mundo todo, e com isso o aumento por mão de obra qualificada cresce em diversos países. Conversei com duas brasileiras que resolveram ir em busca de novas possibilidades pelo mundo afora, e elas compartilharam um pouco de suas experiências conosco.
Adaptação
Como foi falado acima, a adaptação cultural é um dos mais (se não o mais) importantes fatores na escolha de mudar de país; desde a saudade da família, como o idioma falado no país são cruciais para deixar ou não sua experiência melhor no país de destino.
Paula Duarte, tem 24 anos e é formada em Eventos, ela diz que estar longe da família sempre é algo difícil, mas que para o desenvolvimento pessoal as vezes é necessário. Foi o que aconteceu, Paula está há mais de 1 ano morando na Irlanda.
Paula à esquerda em Dublin e Agnes à direita em Montreal.
Um dos maiores desafios enfrentados pelas duas foi o frio.
Para Agnes Vargas, de 24 anos e formada em Comércio Exterior, não foi nada diferente: “Depois de 3 meses eu senti uma saudade forte, mas o preço de morar aqui vale cada pedacinho de saudade, a gente planeja visitar daqui uns 2 anos e eles também querem vir pra cá”. Ela está morando no Canadá há 6 meses.
Em relação à língua falada, Agnes e Paula disseram que foram apenas com o básico, e em após um tempo já passaram a se sentir um pouco mais confiante, além de ter o amparo dos nativos e demais intercambistas, “as pessoas sabem que você é turista/intercambista e tenta ajudar”, conta Paula. Porém o aprendizado é constante, e a imersão dentro da cultura escolhida é ideal para a prática levar à fluência.
Emprego
Já sabemos que no Brasil, a situação no que diz respeito ao desemprego, anda de mal a pior. Esse é um dos motivos pelo qual a busca por possibilidades fora do país enchem tanto os olhos de muitas pessoas.
Entretanto, é importante estar atento às demandas do país escolhido, e aos requisitos para poder ingressar em um emprego atrativo e que valha a pena. Segundo a Agnes, em algumas províncias do Canadá, as áreas de saúde e TI estão em busca de profissionais qualificados, e em “áreas comuns como Atendimento é necessário ter no mínimo as duas línguas da província”, conta.
Uma coisa importante a se destacar é: faça amigos e não tenha medo de procurar, que uma hora você encontra, conforme conta a Paula: “a procura é igual em todos os lugares, tem que ir de porta em porta, conhecidos, indicações, tudo ajuda. Procurando é fácil encontrar”.
Burocracia
A burocracia existe em todo país, e quando o assunto é imigrar, ou sair do país de origem para ficar um período maior do que 3 meses, a documentação é necessária (obvio). Aliás, ela necessária de toda forma haha.
A primeira coisa que você precisa ter é passaporte, já que este é o seu documento válido fora do seu país de origem.
Depois, você vai precisar do visto, e é aqui que as coisas podem ser mais complicadas. Depende do país que você escolher como destino, depende também se você possui ou não dupla cidadania, pois algumas cidadanias podem facilitar o acesso em determinados países (mas isso é papo para outro post).
– Veja também: Dúvidas sobre a cidadania italiana
No caso da Paula, que está na Irlanda, ela conta que o processo foi relativamente fácil: “precisa comprovar certos requisitos, agendar a entrevista no órgão responsável e estando tudo certo não tem preocupações. A documentação de trabalho é um pouco mais complicada porém não é difícil também, você precisa tirar somente um documento (fora o documento que você recebe quando tira o visto)”, conta.
A Agnes, que está no Canadá, teve primeiro o visto de turista, para depois conseguir o de estudo/trabalho: “O meu visto é de estudo e trabalho e antes de vir, viemos com o de turismo. O Visto Canadense é mais simples e barato do que o Americano, é só organizar toda a documentação que pedem e ser transparente. É indicado dar entrada nos vistos 4 meses antes, seja turismo ou seja estudo/trabalho. A análise do governo pode demorar 7 semanas ou mais de acordo com a informação no site canadense. Não tem entrevista, é só carta de intenção para explicar tudo. É o documento mais valioso, vale como entrevista.”, conclui.
Vida social
Mas é claro que depois de todo esse post, iremos falar das coisas boas. Mesmo a experiência como um todo ser ótima, atividades de lazer contam muito, né? Afinal, precisamos nos socializar e conhecer a cultura que resolvemos fazer parte.
De acordo com a Paula, a Irlanda possui muitas opções para todos os públicos. Desde de parques, museus, bares e restaurantes. A diversão pode ser garantida.
Paula com seu noivo, comemorando o St Patrick’s Day
No Canadá, a Agnes também nos contou que há várias atividades ao ar livre e parques: “no verão tem no mínimo uns 15 festivais divididos em comida, música e nacionalidades. Tem vários cinemas, ciclovias, tem parque de diversão e no inverno tem várias atividades como ski, pista de gelo, aula de hockey, etc”
Festival Nuit Blanche, 24h de atividades na cidade (Montreal)
Old Port de Montreal
Organização
Ambas as nossas entrevistadas citaram “organização” e “planejamento” para quem deseja se mudar para o exterior. “Planejamento, pois todos os países têm regras, como visto, possibilidade de trabalhar e estudar. Então antes de escolher um país, precisa pesquisar pra saber o que mais encaixa no perfil. E uma dica e se for, vai 100%, pois morar fora, sem família e a zona de conforto é complicado, não é para quem não está 100% focado”, conta Paula.
“Organização, planejamos há 3 anos atrás, juntamos dinheiro e ainda assim tivemos algumas surpresas. Guarde dinheiro, diminua a quantidade de sushi no mês que no futuro você vê o quanto vale a pena.”, conclui Agnes.
O LinkedIn e o Indeed são algumas ferramentas simples e essenciais, que pode te garantir o emprego dos sonhos, em um ótimo lugar. Além de é claro, grupos no Facebook. A Paula deu a dica para a gente, com uma ressalva: “no Facebook tem bastante grupo de brasileiros para troca de informações, eu recomendo pesquisar nesses sites porém não decidir somente por isso.”
A Agnes também deu a dica de um site específico para quem pretende ir para o Canadá, e deseja encontrar uma boa vaga de emprego: “se a sua área é uma das áreas necessitadas é melhor procurar emprego direto aqui: https://www.canada.ca .Tem todas as infos para vistos e tipos de imigração”, finaliza.
É preciso estar atento às oportunidades que vão aparecendo à sua frente, cultivar o bom e velho networking e sempre ouvir experiências de pessoas que já se aventuraram ou ainda se aventuram em outras partes do mundo. São vastas as possibilidades, porém é necessário estar em constante evolução; seja em softwares, em idiomas… Busque sempre seu melhor formato e esteja aberto ao que a vida colocar em sua frente.
E aí, bora arrumar as malas?
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Bjs,
Dani.
Borrrraaa